
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
Vê-la desfiar seu fio,
Que também se chama vida,
Ver a fábrica que ela mesma,
Teimosamente, se fabrica,
Vê-la brotar como há pouco
Em nova vida explodida;
Mesmo quando é assim pequena
A explosão, como a ocorrida;
Mesmo quando é uma explosão
Como a de pouco, franzina;
Mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.
(J.C.de Melo Neto)
Nick: Luka
Gênero: Mulher (tá)
Idade: 23 anos
Moro: Toronto, Canadá
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É dificil defender, só com palavras, a vida
30.11.05
Eu não sou o que querem que eu seja.
Espelhos e fotos mentem.
Eu não sou o que tenho, ou o que não tenho.
Esse sotaque forte não é a minha voz.
Eu não sou a minha família.
Essa letargia não é minha.
Eu não sou onde estou.
Sou Brasileira, mas também sou além disso.
Sou mulher, , e também sou humana.
Sou jovem (nem tanto), mas o mundo é o mesmo para todos.
Eu não sou insubstituível ( so, I take it slow. E dane-se)
Eu não farei parte da história ( so, eu escrevo as minhas).
Luka
Os outros
21.11.05
Sim, isso é um texto de amor.
É preciso inventar uma nova linguagem a cada amor.
Tentemos traduzir e definir em palavras o que sentimos. Se necessário, inventaremos novos sons, novas palavras, novos caminhos- que só nós entenderemos. O que importa é dizer.
Não se trata de romantismo tolo, mas de uma necessidade.
Eu te amo. Mas ama como? Eu te amo, as vezes, diz tão pouco... Outras, é tudo o que precisa ser dito.
Não usemos palavras rotas, e expressões de telenovela. Gestos assustados e pela metade. Não banalizemos esse negócio chamado amor.
Luka
Os outros
6.11.05
Sinais
Espero por sinais. Pequenos avisos para que o futuro não me pegue desprevenida. Não, eu procuro por sinais. Desesperadamente as vezes, em qualquer palavra, reação ou expressão. Horóscopo, tarot, qualquer coisa.
Gosto de mudanças, mas lidar com o incerto me esmaga o peito. Então, procuro por sinais. E procurar por sinais me aumenta a ansiedade. E, a maioria das vezes, me frustra, pois sinais não existem.
Luka
Os outros
5.11.05
A gente se acostuma....
Á achar que a ¿vida é assim mesmo¿. Á pensar demais, e fazer pouco; ou pensar demais em coisas que não tem aplicação pratica e/ou fogem do nosso controle. Á casa escura, ao sapato furado e ás roupas que não servem mais. Á segurar o choro , mas ter os olhos marejados ao ler o jornal. Á fome sem razão. Á não perceber a dor. Á achar que tudo que acontece conosco foi causado por nós mesmos. Á solidão, mesmo estando acompanhados. Á não dar importância para o que sentimos, nem ás pequenas conquistas. Á não ter tempo de se fazer o que gosta, e não perceber os pequenos prazeres do dia- a ¿dia. Á não conseguir tirar o relógio do pulso. Á taxar sonhos e idéias de infantis , e esquece-los. Á saudades, ao tempo. Á ver no espelho uma outra pessoa que definitivamente não é (a idéia que temos da) a gente. Á habitar um lugar, e não um lar. Á não entender o que se passa, parar de perguntar o porquê ( de coisas importantes), e achar tudo muito ¿estranho¿ e ¿complicado¿. Á rotina massacrante. Á postergar. A ler sem ter luz suficiente, e á ver o mundo como um borrão.
E definitivamente não deveríamos!
Luka
Os outros
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