E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
Vê-la desfiar seu fio,
Que também se chama vida,
Ver a fábrica que ela mesma,
Teimosamente, se fabrica,
Vê-la brotar como há pouco
Em nova vida explodida;
Mesmo quando é assim pequena
A explosão, como a ocorrida;
Mesmo quando é uma explosão
Como a de pouco, franzina;
Mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.
(J.C.de Melo Neto)


Nick: Luka
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Idade: 23 anos
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É dificil defender, só com palavras, a vida

22.4.05

Quando eu era pequena, banheiros eram lugares perigosos.


Havia a loira do banheiro. Uma fantasma horrível- olhos esbugalhados, meio palma de língua roxa de fora e algodões no nariz. Ela vivia em banheiros e adorava assustar menininhas.



Havia também a sapatão do banheiro. Essa era de carne e osso. Uma mulher 'estranha', que mais parecia um homem. Essa ficava nos banheiros, procurando garotinhas inocentes para 'atacar' ou 'recrutar'(palavras da minha mamãe).


Bom,eu nunca encontrei nenhuma das duas.
Elas deveriam estar muito ocupadas. Afinal, não deve ser muito fácil encontrar alguém que compartilhe o seu fetiche por banheiros públicos.


Luka Os outros


17.4.05

Inocência. (Plágio ou dialogo?)

Ás vezes, o que eu mais queria era ter a minha inocência de volta.
Acreditar de novo incondicionalmente nas pessoas. E em mim também.
A inocência de ver tudo pela primeira vez, de descobrir a vida, de se encantar com descobertas fúteis, de querer saber o por que de tudo.
E ver a vida num dramático preto e branco, como numa série de tv antiga. Daquelas onde os problemas mais bobos viram complicações incríveis , mas que sempre acaba bem.E que , no final, todo mundo aprende a lição.
A inocência caustica de crer que fugas e minha própria autodestruição aliviariam minhas dores.E achar que não pensar é uma possível solução pras minhas dores.
Achar que esse vazio que sinto um dia seria completo por alguém ou alguma idéia, e que seria tudo uma questão de paciência até encontrar esse algo.
A inocência também de querer viver o presente, e só o presente. E achar que o passado e o futuro não têm peso nenhum na minha vida presente.
Achar que realmente conheço as pessoas mais próximas e queridas, e acreditar que mudanças e soluções radicais funcionam.
Ter ídolos( ser fã também). Num salvador da pátria. Usar medalhinha de santo, e broche de partido.
Ler a Veja, e achar que as matérias são profundas e imparciais. E que aquele conjunto pop vai ser eterno. A voracidade de ver o ultimo filme e ler o ultimo livro, afinal, podem ser as próximas obras primas do milênio.
A inocência de conseguir assistir desenhos e demais programas de tv sem pensar nas implicações que etnia, classe social e sexo biológico influenciam a nossa experiência nesse mundo. E como o tesão e a agressividade são os nossos instintos mais primitivos e que movem o mundo.

Inocência também é a ausência de culpa. Não ter culpa do estado das coisas, do jeito que o mundo está. Não ter tido tempo ainda de fazer parte desse mundo, de deixar sua marca egoísta no degringolar da situação mundial.
Nunca ter magoado pessoas e esmagado sonhos. Nunca ter desistido dos seus próprios sonhos. Nunca ter perdido uma batalha. Ou ter tido vergonha de um pensamento impróprio. Não ter controle sobre o próprio destino-isso sim é inocência.

Luka Os outros


6.4.05

Nós não temos globo em casa, então ainda não assisti nenhum capitulo de 'América'. Mas a idéia de explorar rodeios e imigração numa mesma novela faz sentido para mim. Principalmente, se usarem muita musica sertaneja.
Explico.
Imigrar pra um outro país é muito parecido com o ¿matuto¿ que vai pra cidade. Ou o peão sem parada certa.
A saudade de casa é a mesma. A gente fica assim, achando que até o horizonte e o céu de onde estamos são diferentes. A inadequação ,se sentir diferente, também.
Musica sertaneja também tem muita carência, rejeição e dor de cotovelo. Coisas que todo imigrante acaba por descobrir.

Luka Os outros