
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
Vê-la desfiar seu fio,
Que também se chama vida,
Ver a fábrica que ela mesma,
Teimosamente, se fabrica,
Vê-la brotar como há pouco
Em nova vida explodida;
Mesmo quando é assim pequena
A explosão, como a ocorrida;
Mesmo quando é uma explosão
Como a de pouco, franzina;
Mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.
(J.C.de Melo Neto)
Nick: Luka
Gênero: Mulher (tá)
Idade: 23 anos
Moro: Toronto, Canadá
Faço: Psicologia(afe!)
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É dificil defender, só com palavras, a vida
23.11.04
( texto de aniversário: Parabéns para mim!!!)
Crescer é assim: uma dor aliviante. Alivio de quem aprendeu uma lição dolorosa, mas que se prestar atenção pra não repetir o erro, não vai se machucar de novo. Quer dizer, não se machucará do mesmo jeito.
Por que vamos combinar que ser rejeitada dói. Perder pessoas, coisas e lugares queridos dói. Ver tudo degringolando e não poder fazer nada dói. Dói não ter percebido o desmoronar das coisas também. Dói ver que sua vida é baseada em mentiras. Dói não acreditar em mais nada nem ninguém. Dói ver histórias e erros velhos-de-cara-nova serem repetidos. Dói ter que partir, dói ter que chegar e começar tudo de novo, dói voltar sem mais uma ilusão.Indiferença dói. Dói machucar pessoas, ás vezes. Dói esquecer e ser esquecida. Dói ter que repetir quando alguém não me entende. Dói passar por avaliações.
Dói esculpir e arranhar a pele,os nervos e os músculos faciais. Fazer uma máscara de gesso e sangue, só por causa de umas convenções sociais. Dói arrancar a máscara, e descobrir os tecidos expostos – mostrar as feridas, e dizer ‘sou humano, sou assim’. Dói a incerteza: será que ainda é possível ver minhas feições embaixo de tanto pus, casquinhas e cicatrizes? Perder a inocência também dói.
Dói quebrar hábitos. Dói perceber que criamos resistência aos analgésicos, e teremos que encarar a dor. Dor que todos dizem que não existe mais, mas que nos deixa a vista embaçada, lágrimas e cabeça pesada.
Um vez, um professor me disse que crescer é aprender a lidar com incertezas. E eu, viajando, logo pensei que quanto mais velhos estamos, mais temos que aprender conviver com essa grande dúvida que é a Morte.
Quando se é criança, a idade adulta parece tão certinha...tão linear...tão longe. E hoje eu nem sei onde vou estar daqui á, digamos, 3 anos. E, na maioria das vezes, acho isso maravilhoso.
Envelhecer também é esquecer as coisas ruins da infância e da adolescência. Ou melhor, crescer é se livrar dessas coisas. Também é ter que olhar no espelho uma cara que não é bem a nossa. E ler umas coisas que escrevo e se perguntar- fiquei tão pessimista assim?
(desculpem pelo post enorme, mas foi meu aniversário e eu posso).
Luka
Os outros
9.11.04
Na 'ilustrada' online de hoje :
"Anti-heroína Bridget Jones volta às telas com Renée Zellweger" Se a Bridget Jones é anti-heroína, então eu sou o Mickey Mouse.
"Imortais da Academia Brasileira de Letras brigam durante festa" - Deve ter sido engraçado ver 2 senhores ( 72 e 80) brigando, e um jogando Coca-cola no outro. "Eu estava com Coca-Cola na mão, e isso não embriaga"- realmente estar com a coca-cola na mão não embriaga, o problema é tomar a Coca-Cola e o que estiver misturado nela. Será que formou uma rodinha de intelectuais em volta dos 2 gritando "Yeah, Yeah" , ou será que eles foram de "oui, Oui, Oui"?. É imortais também tem seus dias de tábloide.
Luka
Os outros
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